Não consigo tirar os olhos da expressão da mãe do Ethan. Ela não tem pena, tem raiva. Mostrar a notícia do casamento do Willow para o filho naquele estado é de uma frieza assustadora. A cena do escritório com o Ethan elegante lendo documentos contrasta com o homem destruído que vimos antes. Meu Sr. Surpresa acerta em cheio na construção desse antagonismo familiar.
Que queda livre é essa do Ethan? Primeiro vemos ele num momento íntimo e lindo, depois ele está largado num quarto imundo bebendo até cair. A notícia do casamento do Willow parece ter sido a gota d'água. A atuação dele, passando do choro para um sorriso maníaco, é de arrepiar. Meu Sr. Surpresa não tem medo de mostrar o fundo do poço dos personagens.
O momento em que o Ethan para de chorar e começa a rir olhando para o celular é a coisa mais assustadora que já vi. A mãe dele tentando fazê-lo reagir só piora tudo. A gente sente o desespero dele misturado com uma loucura crescente. A produção de Meu Sr. Surpresa capta essa tensão psicológica de um jeito que fica martelando na cabeça.
Ver o Ethan naquele escritório, impecável no terno branco, depois de toda aquela cena de destruição, dá um ar de mistério. Será que ele superou ou está apenas planejando algo? A entrada do outro homem na sala muda a energia imediatamente. Meu Sr. Surpresa sabe como usar a estética do poder para esconder as cicatrizes dos personagens.
A cena inicial com a venda nos olhos da mulher é tão simbólica. Ela não vê o que está acontecendo, assim como o Ethan parece não aceitar a realidade do casamento do Willow. A intimidade do começo faz a queda dele doer muito mais. Assistir a essa montanha-russa emocional no Meu Sr. Surpresa é uma experiência intensa e viciante.