A expressão do homem de óculos ao encontrar a cena no banheiro é o clímax da tensão. Ele entra confiante e sai destruído. A iluminação azulada do ambiente cria uma atmosfera fria e mortal que gelou minha espinha. A atuação dele transmite um pavor real que prende a gente na tela.
Os flashbacks mostram um homem doente sendo cuidado, o que adiciona camadas à motivação da personagem principal. Será que ela não aguentou mais ver o sofrimento dele ou o seu próprio? A narrativa de Só Ele Me Quer brinca com a linha tênue entre amor e desespero de forma brilhante.
Começar com a foto no altar já entrega que algo trágico aconteceu ou vai acontecer. A menina colocando incenso com tanta reverência mostra um luto profundo. Quando o pai chega com flores, a esperança dele contrasta com a realidade dura que vemos depois. Que início pesado e necessário.
A cena das pílulas na mão é sutil mas poderosa. Ela está decidindo o fim enquanto ele dorme inocente. A ambiguidade de quem é o alvo da morte ou se é um pacto de amor deixa a gente roendo as unhas. A direção de arte em Só Ele Me Quer acerta em cheio nos detalhes.
Mesmo na cena mais triste, a estética é impecável. O vestido branco molhado, o cabelo espalhado na água, a luz suave. Parece uma pintura renascentista da morte. A protagonista mantém uma beleza etérea mesmo no momento final, o que torna a cena ainda mais dolorosa de assistir.